O Lugar de onde amamos: Um convite para puxar o fio

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DESPERTARCONSCIÊNCIAAUTOCONHECIMENTO

1/10/20264 min read

O Lugar de Onde Amamos: Um Convite Para Puxar o Fio

Talvez o problema nunca tenha sido quem você amou.
Talvez o ponto cego sempre tenha sido o lugar de onde você amava.

Essa frase pode soar simples à primeira vista, mas ela carrega uma complexidade que atravessa o corpo, a mente e o espírito. Porque amar não é apenas um ato emocional. Amar é um estado interno. É um ponto de partida. É uma frequência a partir da qual nos relacionamos com o mundo, com o outro e, principalmente, conosco.

Quando não olhamos para esse lugar interno, repetimos histórias com personagens diferentes. Mudam os rostos, mudam os contextos, mas a sensação é estranhamente familiar. O mesmo tipo de dor. O mesmo tipo de frustração. O mesmo cansaço emocional que parece não ter explicação lógica.

É aí que o convite começa: puxar o fio.

Puxar o fio dói, mas liberta

Puxar o fio não é buscar culpados.
Não é revisitar o passado para se punir.
Não é se prender em narrativas de erro.

Puxar o fio é um gesto de honestidade interna.
É perguntar, com coragem:
“De onde eu estou me relacionando?”

Esse fio passa por memórias antigas, por condicionamentos familiares, por experiências de rejeição, abandono, excesso de cobrança ou falta de afeto. Ele passa pelo corpo que aprendeu a se contrair para não sentir. Pela mente que aprendeu a justificar o injustificável. Pelo espírito que, muitas vezes, foi silenciado em nome da sobrevivência.

O corpo sente antes da mente entender

O corpo é sempre o primeiro a saber.

Antes de você racionalizar, o corpo já apertou.
Antes de você explicar, o estômago já revirou.
Antes de você aceitar, os ombros já pesaram.

Relacionamentos vividos a partir da carência deixam marcas físicas.
Tensão constante.
Cansaço sem motivo aparente.
Dificuldade de respirar fundo.
Sono fragmentado.
Sensação de estar sempre em alerta.

Quando você ama a partir da falta, o corpo vive em estado de ameaça. Ele não relaxa. Ele se adapta. Ele suporta. E suportar, por muito tempo, adoece.

O corpo não mente. Ele apenas reage ao ambiente emocional que você insiste em habitar.

Aprender a escutar o corpo é um dos primeiros passos para mudar o lugar de onde você ama. Porque o corpo denuncia onde você se abandona para ser aceito.

A mente cria loopings para tentar manter o controle

A mente, quando não está consciente, entra em loopings de pensamento.

Você revive conversas.
Reinterpreta mensagens.
Imagina cenários.
Cria justificativas.
Constrói histórias para não entrar em contato com o medo real.

Esses loopings não são sinal de fraqueza. São tentativas desesperadas de controle. O ego acredita que, se entender tudo, sofrerá menos. Mas o efeito costuma ser o oposto: quanto mais a mente gira, mais energia é drenada.

O looping mental mantém você preso ao mesmo ângulo de visão. E nenhum problema pode ser resolvido do mesmo nível de consciência em que foi criado.

Autoconhecimento não é calar a mente. É aprender a não ser sequestrado por ela.

Quando você muda o ângulo de visão, o looping perde força. Porque ele só se sustenta enquanto você acredita que aquele pensamento é a verdade absoluta.

O ego e as energias inferiores

Existe um ponto delicado, mas necessário, de ser tocado: o ego.

O ego não é um inimigo. Ele é uma estrutura de proteção. O problema surge quando ele governa todas as decisões emocionais.

O ego quer vencer.
Quer ter razão.
Quer ser escolhido.
Quer ser visto.
Quer evitar a dor a qualquer custo.

E, para isso, ele aceita acordos silenciosos:
– permanecer onde dói
– se adaptar além do limite
– negociar a própria verdade
– se desconectar da intuição

Esses acordos nos colocam em energias mais densas: medo, culpa, carência, ciúme, apego, controle. Não porque somos “menos evoluídos”, mas porque estamos identificados demais com a necessidade de sobrevivência emocional.

Sair dessas energias não acontece pela força. Acontece pela consciência.

Quando você observa o ego sem se confundir com ele, algo se reorganiza dentro.

O olhar espiritual não é fuga — é presença

Falar do espiritual não é negar a dor humana. Pelo contrário. É estar presente nela sem se afogar.

O olhar espiritual começa quando você percebe que não é apenas seus pensamentos, nem apenas suas emoções, nem apenas suas histórias passadas.

Existe algo em você que observa.
Que percebe padrões.
Que sente quando algo não está alinhado.

Essa consciência mais ampla permite um pequeno, mas poderoso, deslocamento interno. E é esse deslocamento que muda tudo.

Você começa a se perguntar:
“O que essa situação está me ensinando sobre mim?”
“O que em mim ainda precisa de cuidado?”
“O que estou tentando provar ao permanecer aqui?”

Essas perguntas não são para julgamento. São para libertação.

Mudar o ângulo de visão muda a experiência

Quando você muda o ângulo, a relação pode até ser a mesma, mas você não é mais.

Você começa a perceber onde seu corpo contrai.
Onde sua mente entra em looping.
Onde seu ego tenta assumir o controle.

E, a partir disso, escolhas diferentes se tornam possíveis.

Não escolhas impulsivas.
Não escolhas reativas.
Mas escolhas alinhadas.

Às vezes, mudar o ângulo significa ficar.
Às vezes, significa sair.
Às vezes, significa silenciar.
Às vezes, significa dizer não.

O ponto não é a ação externa. É o lugar interno de onde ela nasce.

Amar a partir da presença

Quando você ama a partir da presença, o corpo relaxa mais.
A mente gira menos.
O espírito encontra espaço.

Você não implora.
Não se diminui.
Não se perde.

Você entende que relacionamento não é palco de salvação, mas espaço de encontro. E encontros só acontecem quando há inteireza.

Esse é um caminho. Não um destino final.

Haverá recaídas.
Haverá momentos de inconsciência.
Haverá dias em que o ego falará mais alto.

E tudo bem.

O autoconhecimento não exige perfeição. Exige honestidade.

Um novo olhar

Talvez este texto não seja para te dar respostas.
Talvez ele seja apenas para te ajudar a puxar o fio certo.

Não o fio do outro.
Não o fio da culpa.
Mas o fio do olhar.

Porque quando você muda o lugar de onde se relaciona, tudo ao redor começa a se reorganizar.

Esse é o convite da Novo Olhaar:
olhar de novo, com mais consciência, mais presença e mais verdade.

E seguir, um passo de cada vez, para além da carência — em direção a si.

Fabiana de Bom

Novo Olhaar

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